Foto: Greenpeace

21.09.2015 - Atualizado 21.09.2015 às 10:00 |

CÍNTYA FEITOSA (OC)

Uma criança nascida em 2015 pode chegar aos 35 anos livre de combustíveis fósseis. É o que indica um relatório divulgado hoje pelo Greenpeace, que mostra que como é possível chegar a 2050 com 100% de energias renováveis. O “Energy [r]Evolution” ([r]Evolução Energética) aponta qual é o investimento necessário para atingir a meta: US$ 64,6 trilhões até 2050 – o equivalente a US$1,6 trilhão por ano.

O relatório aponta a necessidade de aprimorar a eficiência energética, para que os custos da transição não sejam maiores.

O principal desafio é o setor de transportes. Hoje, 92% da fonte de energia em transportes vem do petróleo, e só 1% da eletricidade. “A revolução energética nesse setor ainda não começou e deve iniciar em grandes cidades”, diz o documento. Na geração de energia para transportes aéreos e marítimos, que usam 14% dos combustíveis fósseis, é necessário avançar em pesquisas e investimentos.

“Segundo o último relatório de avaliação do IPCC, já usamos quase dois terços do nosso orçamento de carbono”, diz o documento. “No ritmo atual e projetado do consumo, este orçamento total será utilizado em 2040. Por isso, é essencial que avancemos rapidamente para uma nova forma de fornecimento de energia”.

Desde 2000, houve uma expansão do mercado de energia eólica, que atualmente tem projetos em mais de 100 países – antes o mercado era significativo em poucos países, como Dinamarca, Alemanha e EUA. A energia solar, embora mais lentamente, também cresceu. A geração fotovoltaica cresceu 25% ao ano nos últimos anos, chegando a 40 GW de nova capacidade instalada em 2014.

Entre 2000 e 2014, diz o relatório, 38% de todas as novas usinas em todo o mundo foram de energia renovável – principalmente eólica (15,8%) e fotovoltaica (8,4%), enquanto 22% são usinas de gás e 34% carvão. Já em 2020, a energia eólica e solar poderão empregar 4,2 milhões e 6,7 milhões de pessoas, cada uma – mais do que o triplo do que emprega o setor de óleo e gás hoje (3,6 milhões). “Isso é uma mensagem importante para o Brasil, porque a gente acha que é só o pré-sal que pode trazer esses empregos todos”, diz Ricardo Baitelo, coordenador de Clima e Energia do Greenpeace.

Apesar do aumento da utilização de energia, pela primeira vez em 40 anos as emissões globais de CO2 associadas ao consumo de energia mantiveram-se estáveis ao longo do ano, enquanto a economia global cresceu, dissociando a redução de emissões da retração econômica.

Cenário brasileiro

O Brasil está entre os países de maior matriz energética renovável no relatório do Greenpeace, por causa da geração hidrelétrica. O país também ocupa a lista dos dez países que mais investiram em renováveis. Em primeiro lugar está a China, que fez um terço dos investimentos totais, seguida pelos Estados Unidos, o Japão, o Reino Unido, Alemanha, Canadá, Brasil, Índia, Holanda e África do Sul. O crescimento mais rápido, no entanto, foi no Oriente Médio e na África, com aumento de 44% no investimento em 2014.

Os 20 melhores países em geração renovável, desconsiderando a hidrelétrica, são todos na Europa. A Dinamarca foi, de longe, a líder, seguida por Alemanha, Suécia, Espanha e Portugal.

“No Brasil, é fundamental que aumente a eletrificação da matriz, com fontes renováveis”, afirma Baitelo. “Isso ajudaria a ter um sistema energético com maior penetração de fontes intermitentes e também a reduzir o consumo de combustíveis fósseis.” Segundo ele, uma matriz energética com mais energia elétrica custa mais caro no início, mas gera duas vezes mais empregos e compensa economicamente pela redução no uso de petróleo, gás e carvão.

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