O primeiro-ministri da França, Manuel Valls (Imagem: reprodução TV RTL)

16.11.2015 - Atualizado 16.11.2015 às 14:01 |

DO OC

A conferência do clima de Paris deverá ficar restrita ao ambiente de negociação, sem vários dos eventos que estavam programados para acontecer em toda a cidade. A medida de segurança foi anunciada pelo primeiro-ministro da França, Manuel Valls, na manhã desta segunda-feira.

Na última sexta-feira, a França sofreu o pior ataque de sua história desde a 2a Guerra Mundial. Uma ação terrorista coordenada e reivindicada pelo Estado Islâmico deixou 129 mortos em vários pontos da região nordeste de Paris.

Segundo o jornal francês Le Monde, o chefe de governo não precisou quais eventos seriam cancelados, mas disse que a COP21 será “sem dúvida reduzida à negociação”. “Alguns concertos, algumas manifestações, sobretudo festivas, serão sem dúvida canceladas”, declarou Valls. Segundo ele, as forças de segurança precisarão se concentrar no que é essencial.

Um dos pontos de incerteza até o começo da noite desta segunda-feira era a realização da marcha pelo clima, organizada pela sociedade civil e prevista para o dia 29, véspera da abertura das negociações. A manifestação deveria reunir dezenas de milhares de pessoas, que sairiam justamente da Place de la République, na região onde ocorreu a maior parte dos atentados. Uma segunda marcha ocorreria no dia 12, após o encerramento da COP.

A Coalizão Clima 21, grupo de ONGs que organiza as marchas, decidiu nesta segunda-feira levar adiante o plano de pedir autorização ao governo francês para realizar a manifestação dia 29.

“Embora consideremos as circunstâncias excepcionais, acreditamos que a COP21 não pode acontecer sem a participação ou a mobilização da sociedade civil na França”, afirmou a coalizão, num comunicado. “Portanto, faremos todos os esforços para realizar todas as mobilizações planejadas.” O grupo lembrou que Paris é uma das cidades do mundo onde ocorrerão marchas na véspera da COP. “Não podemos imaginar uma resposta melhor à violência e ao terror do que esse movimento por paz e esperança”, disse Nicholas Haeringer, da ONG 350.org na França.

Ainda segundo o Le Monde, os eventos oficiais da COP21, que ocorrem a partir do dia 30 em Le Bourget, arredores de Paris, estão mantidos – inclusive o segmento oficial, que até a semana passada tinha a presença confirmada de 117 chefes de Estado. O presidente dos EUA, Barack Obama, foi um dos que confirmaram ao presidente francês, François Hollande, que comparecerão, mesmo após os atentados.

Os chefes de Estado e governo devem pousar no próprio aeroporto de Le Bourget – que abriga anualmente o maior salão aeronáutico do mundo – e circular apenas pela chamada “zona azul”, de segurança máxima. Uma centena de guardas da ONU e 300 guardas privados farão a segurança do local.

(Atualizado às 18h30 com informações sobre a marcha da sociedade civil)

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