Líderes do G20 em Huangzhou, China

05.09.2016 - Atualizado 05.09.2016 às 12:04 |

DO OC

A reunião anual do G20 foi concluída nesta segunda-feira (05) em Hangzhou, China, com um surpreendente apoio à entrada em vigor do Acordo de Paris ainda neste ano – quatro anos antes do prazo oficial, 2020. O comunicado final do bloco das 20 maiores economias do mundo destaca a importância de ciência e tecnologia, desenvolvimento sustentável e fluxos financeiros verdes, com várias referências ao crescimento econômico alinhado às resoluções do novo acordo do clima.

“Acolhemos favoravelmente os esforços feitos para permitir sua entrada em vigor daqui até o fim de 2016 e esperamos uma entrada rápida em vigor do acordo em todas as suas dimensões”, afirmam os chefes de Estado do grupo, que inclui o Brasil. “Nos comprometemos a finalizar nossos respectivos procedimentos internos para aderir ao acordo assim que possível.”

O grupo também diz aguardar “com interesse” os resultados de reuniões na próxima semana sobre emissões de aviação civil – que ficaram de fora do Acordo de Paris – e sobre a limitação a emissões de gases refrigerantes. Estes têm alto potencial de aquecimento e curta duração na atmosfera, e eliminá-los pode ajudar a ganhar tempo na luta contra a mudança do clima enquanto não se atinge o corte necessário das emissões de carbono.

A declaração é um avanço político significativo em relação à referência genérica feita pelo G20 em sua reunião do ano passado em Antalya, Turquia, às vésperas da conferência do clima de Paris. Analistas apontam no texto a influência da China, anfitriã que, juntamente com os Estados Unidos, tornou-se na sexta-feira a primeira potência mundial a ratificar o Acordo de Paris.

Para Ana Toni, Diretora Executiva do Instituto Clima e Sociedade (ICS), o comprometimento brasileiro com acordo durante a reunião pode ajudar no momento de crise: “Apesar da instabilidade política e econômica no Brasil, o novo governo demonstra comprometimento com que o país se torne um dos primeiros grandes emergentes a ratificar o Acordo de Paris, em setembro. O compromisso com as pautas sobre mudança climática na reunião do G20 deve abrir novas possibilidades de investimento que podem ajudar o Brasil a superar seu momento de crise econômica”, afirmou.

Novamente, porém, a cúpula do G20 falhou em estabelecer um prazo para eliminação dos subsídios a combustíveis fósseis, apesar de reafirmar comprometimento com o objetivo. A representante do Natural Resources Defense Council, Han Chen, reafirmou a necessidade de uma definição nesse sentido até a reunião do G20 na Alemanha, em 2017: “Estes países se comprometeram a diminuir subsídios a combustíveis fósseis em 2009, mas sem um prazo definido. Se o objetivo é real, este não pode ser o fim da discussão. É preciso definir uma data limite para a eliminação dos subsídios até o próximo encontro do G20”.

O documento faz, ainda, menção ao gás natural como “combustível fóssil com menos emissões” e promete apoio dos países em sua exploração: “Iremos fortalecer cooperação em soluções que promovam métodos de extração, transporte e processamento de gás natural que minimizem as consequências ambientais”, afirma o comunicado final.

Aqui também há provavelmente dedo de China e EUA: os dois países têm apostado pesadamente na exploração de gás de folhelho (shale gas) por meio de fraturamento hidráulico, uma técnica ambientalmente controversa. O gás tem permitido aos EUA deslocar o carvão mineral de sua matriz, mas especialistas apontam que ele pode retardar a descarbonização do sistema energético mundial – algo que precisa acontecer antes de 2050 se o mundo quiser cumprir as metas de Paris de limitar o aquecimento global a “bem menos de 2oC” e “fazer esforços” para limitá-lo em 1,5oC.

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