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Agência Internacional de Energia decreta o fim da era fóssil

Primeiro relatório a traçar uma trajetória para zerar emissões em 2050 diz que mundo não pode aprovar novos projetos de óleo, gás e carvão já em 2021

24.05.2021 - Atualizado 26.05.2021 às 16:35 |

O documento mais importante da política econômica do século 21 foi publicado nesta semana pela IEA (Agência Internacional de Energia). Num relatório de 224 páginas produzido por dezenas de especialistas do mundo inteiro, a IEA traçou pela primeira vez o mapa do caminho sobre como zerar emissões líquidas de gases de efeito estufa em 2050. E avisa: a trilha é estreita e o abismo é profundo.

Dois recados principais do relatório deveriam estar causando crises de ansiedade em planejadores de energia mundo afora. O primeiro é que quase metade das reduções de emissões a serem obtidas daqui a 35 anos vem de tecnologias que ainda não entraram no mercado – que estão em protótipo ou em fase de demonstração. É o caso de baterias avançadas, sistemas de produção de hidrogênio e captura de CO2 do ar.

O segundo recado, não menos importante, é que nenhum projeto novo de extração de combustíveis fósseis pode acontecer no planeta a partir de 2021. Você leu certo: a Agência Internacional de Energia, fundada em 1974 para ajudar a gerir estoques de petróleo, está dizendo que o óleo e o gás remanescentes em jazidas conhecidas no mundo deve permanecer no subsolo daqui para a frente. Será preciso combinar com países como o Brasil, que está em plena febre de leilões de óleo e gás e subsidiando pesadamente essa atividade até 2040.

Na trajetória desenhada pela agência, o uso de combustíveis fósseis declina de quatro quintos da matriz energética global hoje para um quinto em 2050. O petróleo continuará sendo muito usado, mas não para queimar no tanque do seu carro, mas para fins mais nobres e menos emissores, como a produção de plásticos. Dois terços da energia mundial seriam fornecidos por renováveis. A capacidade instalada de solar para isso precisaria chegar a 630 gigawatts por ano até 2030. É quatro vezes o que o Brasil tem em todo o seu sistema elétrico.

Devido a ganhos de eficiência, o mundo chegaria a 2050 consumindo 8% menos energia do que hoje, mas com uma economia duas vezes maior e 2 bilhões de pessoas a mais no planeta.

Num mundo comprometido de verdade com a meta do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a 1,5oC, o relatório da IEA seria tratado talvez não como verdade revelada, mas como um norte para o esforço global de reorientação da economia para a descarbonização. A ver como ele será recepcionado em novembro na COP26, a conferência do clima de Glasgow.

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