08.12.2020 - Atualizado 22.03.2021 às 23:16 |

PRESS RELEASE

A menos de um mês do fim do prazo legal, o governo brasileiro parece ter enfim decidido apresentar sua nova NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) ao Acordo de Paris.
De uma versão do documento da NDC que circulou nesta terça-feira à noite, conclui-se que o país terá duas metas:
1 – Uma redução de 43% nas emissões do Brasil em 2030 em relação a 2005, tal como indicado pela então presidente Dilma Rousseff (PT) em 2015.
2 – Uma intenção de atingir a neutralidade em carbono em 2060, dez anos depois do anunciado pela maioria dos países do mundo, exceto a comunista China.
Em mais uma tentativa de chantagear países ricos, o ministro do Meio Ambiente condicionou a antecipação da meta de 2060 ao pagamento de US$ 10 bilhões de dólares por ano ao Brasil a partir do ano que vem.
A NDC anunciada é insuficiente e imoral. A redução de 43% nas emissões em 2030 não está em linha com nenhuma das metas do Acordo de Paris de limitar o aquecimento global a menos de 2oC ou a 1,5oC. Ela nos levaria a um mundo cerca de 3oC mais quente se todos os países tivessem a mesma ambição. Imoral porque, num momento em que dezenas de países começam a aumentar significativamente a ambição de suas metas, em linha com novas recomendações da ciência, o Brasil oferece um esforço adicional de apenas 6%, que já estava proposto antes mesmo de o Acordo de Paris ser adotado. O mundo mudou, mas as metas do Brasil não.
“Como dizia o Barão de Itararé, de onde menos se espera é que não sai nada mesmo. O mundo esperava ambição do quinto maior emissor do planeta. Ganhou em vez disso uma motosserra apontada contra a maior floresta tropical da Terra e uma exigência de resgate hoje para parar de desmatar e emitir em menos de 40 anos. É mais uma irresponsabilidade deste governo com a agenda de clima, e uma atitude que isola ainda mais o país no cenário internacional”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima.
Nesta segunda-feira, o OC lançou uma proposta de NDC para o Brasil compatível com as metas de Paris. Ela propõe um corte de 81% nas emissões em 2030 em relação a 2005 e o atingimento da neutralidade de carbono em 2050, em linha com o resto do mundo.

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