Incêndio florestal sobre área de floresta degradada, em processo de desmatamento, em Novo Aripuanã, Amazonas. Crédito: © Victor Moriyama / Amazônia em Chamas

#PRESS RELEASE

Desmatamento bate novo recorde e mostra triunfo de projeto ecocida de Bolsonaro

Com 13. 235 km2, devastação na Amazônia é a maior desde 2006 e resulta diretamente da política de desmonte

18.11.2021 - Atualizado 19.11.2021 às 12:13 |

A taxa de desmatamento na Amazônia em 2021 foi de 13.235 quilômetros quadrados, mostraram dados postados na tarde desta quinta-feira (18) no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A estimativa do programa Prodes, do Inpe, indica uma alta de 22% em relação ao ano passado. É a terceira alta consecutiva no governo Bolsonaro e também a primeira vez desde o início das medições, em 1988, que a devastação sobe por quatro anos seguidos.

Há 15 anos a floresta amazônica não assiste a uma destruição nesse patamar. Em 2006, o desmatamento, então em queda, foi de 14.286 quilômetros quadrados.

“O resultado é fruto de um esforço persistente, planejado e contínuo de destruição das políticas de proteção ambiental no regime de Jair Bolsonaro. É o triunfo de um projeto cruel que leva a maior floresta tropical do mundo a desaparecer diante dos nossos olhos e torna o Brasil de Bolsonaro uma ameaça climática global”, disse Marcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima. “Diferentemente da propaganda que o governo e seus aliados no agro e na indústria levaram à COP26, em Glasgow, o Brasil real é este, da terra arrasada, da violência contra populações tradicionais e do crime organizado agindo sem controle na Amazônia.”

Em três anos de governo, a média do desmatamento sob Bolsonaro é de 11.405 quilômetros quadrados anuais, um número 51% maior do que em 2018, último ano do governo Temer, e 75% do que a média dos dez anos anteriores (2009-2018). Bolsonaro enterrou no seu primeiro dia de governo o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, que atravessara cinco mandatos presidenciais, manietou o Ibama, a quem chamava de “indústria da multa”, e paralisou na prática o Ministério do Meio Ambiente. O ex-ministro Ricardo Salles, que ficou famoso por propor “passar a boiada” nas regulações ambientais, foi demitido por suspeita de nove crimes, entre eles facilitação a contrabando de madeira.

A nota do Inpe é datada de 27 de outubro. Isso mostra que o governo já tinha o dado de desmatamento na mão quando foi à conferência do clima da Escócia COP26 e o omitiu deliberadamente. Enquanto escondia o número da sociedade brasileira e da comunidade internacional, o governo anunciou em Glasgow uma intenção de zerar o desmatamento ilegal em 2028 e assinou uma declaração sobre florestas na qual se compromete a zerar todo o desmate em 2030.

O dado do Inpe também mostra que o mais de meio bilhão de reais gasto em operações militares na floresta e as dezenas de milhões de reais gastas pelo Ministério da Defesa na compra – sem licitação – de um satélite foram inócuos.

E nada indica que o projeto do bolsonarismo de seguir destruindo a floresta arrefecerá em 2022. Um dos dados mais preocupantes do novo Prodes é a explosão do desmatamento no Estado do Amazonas, o segundo mais preservado da região. A devastação ali subiu 55%, fazendo o Amazonas ultrapassar Mato Grosso como segundo Estado mais desmatado da Amazônia Legal. A devastação se concentra no sul do Estado, nos municípios de Apuí e Lábrea. Este último é por onde passa a BR-319, estrada que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, tenta pavimentar a todo custo, passando por cima do rito de licenciamento ambiental. O desmatamento em Lábrea pode indicar um surto de grilagem em antecipação à obra – uma tendência histórica na Amazônia. Enquanto isso, as multas ambientais por crimes contra a flora despencaram no Estado: foram aplicadas 280, o menor número desde 2004.

No Congresso, tramitam neste momento pelo menos cinco projetos de lei que podem piorar ainda mais a situação: os PLs 2.633 e 510, que anistiam a grilagem, o PL 3.729, que praticamente extingue o licenciamento, e os PLs 490 e 191, que ameaçam as terras indígenas.

“Precisamos de uma resposta forte e à altura vinda de toda a sociedade. Bolsonaro tem de ser parado”, disse Astrini.

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