13 Oct 2012, Inner Mongolia, China --- Inner Mongolia, China --- Image by © liuzhaoming/Corbis

13.03.2015 - Atualizado 13.03.2015 às 17:26 |

A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) divulgou nesta sexta-feira (13) dados que mostram estagnação na emissão de gases de efeito estufa no setor de energia em 2014. A boa notícia é que, pela primeira vez em 40 anos, a redução não está relacionada a uma recessão, o que dá mais ânimo às negociações para a redução global de emissões na Conferência do Clima de Paris, em dezembro.

Desde que a IEA reúne dados sobre as emissões de dióxido de carbono, houve apenas três vezes em que as emissões pararam ou diminuíram em relação ao ano anterior. Em todas elas, a redução estava associada à estagnação econômica: o início dos anos 1980, 1992 e 2009. Em 2014 a economia global cresceu 3%.“Isso dá um impulso muito necessário para os negociadores que se preparam para um acordo climático global em Paris em dezembro”, comemorou o economista-chefe da IEA, Fatih Birol.

O total de emissões globais de dióxido de carbono foi de 32,3 bilhões de toneladas em 2014, mantendo-se igual ao total de emissões em 2013. A IEA atribui o fato à mudança no padrão de consumo de energia na China e países da OCDE (desenvolvidos) – com maior consumo de energia limpa e menos queima de combustíveis fósseis.

A IEA também destacou o esforço das economias da OCDE para promover o desenvolvimento sustentável com maior eficiência energética. Isso estaria contribuindo para dissociar a redução de emissões a baixo crescimento econômico.

A diretora-executiva da agência, Maria van der Hoeven, ressalta que as boas notícias não podem ser um motivo para protelar as ações para agir pela redução de emissões. “Os dados mais recentes sobre as emissões são de fato encorajadores, mas este não é o momento para complacência”, declarou.

Bárbara Rubim, coordenadora da campanha de Renováveis do Greenpeace, diz que o Brasil está seguindo o caminho contrário do mundo: segundo ela, o aumento de uso de gasolina e diesel subsidiados e o incremento da geração de energia elétrica por térmicas fósseis colocaram o país na contramão. “De 2011 a 2013 a participação das termelétricas na geração de eletricidade já saltou de 8,4 para 19,8%. Em 2014, 30% dessa geração veio das termelétricas, aí consideradas também a biomassa e a nuclear”, afirmou.

E as perspectivas não são boas, prossegue Rubim. O leilão de energia realizado em 28 de novembro do ano passado contratou 3.399 megawatts em quatro usinas a carvão e gás. “Quando entrarem em operação, essas usinas representaram um aumento de 13% das emissões das térmicas em relação a 2013, ou seja, 8 milhões de toneladas de CO2 equivalente ao ano.”

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