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Péssima notícia: desmatamento na Amazônia cresce 28% entre 2012 e 2013, apontam dados do governo

A ministra Izabella Teixeira acaba de anunciar os dados recentes do PRODES sobre o desmatamento na Amazônia Legal, e as notícias não poderiam ser piores para o Brasil

07.01.2015 - Atualizado 07.01.2015 às 11:36 |
OC, 14/11/2013
Bruno Toledo

A ministra Izabella Teixeira acaba de anunciar os dados recentes do PRODES sobre o desmatamento na Amazônia Legal, e as notícias não poderiam ser piores para o Brasil: tivemos um aumento de 28% no desmatamento na região entre 2012 e 2013, com Mato Grosso (52%), Roraima (49%) e Pará (37%) puxando a tendência para cima. É a terceira maior taxa de aumento no desmatamento anual da Amazônia desde 1988, quando o PRODES começou a medir. Esse número é simplesmente inaceitável, e não poderia vir em situação pior.

Por mais que o governo federal insista em não apontar, não podemos deixar de considerar que esse número chega um ano depois da assinatura do Novo Código Florestal. A sociedade civil sempre insistiu que a nova legislação poderia ter impacto negativo sobre os esforços de combate ao desmatamento no Brasil. Ainda que não possamos apontar essa correlação com a frieza científica, não podemos negar que esse número é um forte indicativo de que a sociedade civil estava certa na discussão política sobre o Código.

Mesmo assim, algo que o governo federal não pode contestar é que esse aumento reflete sim a falta de articulação entre as ações de mitigação e redução das emissões brasileiras e os grandes planos de desenvolvimento nacional. Por mais que alguns setores do governo se esforcem, a questão climática ainda não é estratégica dentro da grande agenda política brasileira. Isso é grave: conforme apontado por relatório recente do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas, o Brasil pode sofrer bastante com os impactos das alterações do clima, especialmente nos grandes centros urbanos. Por exemplo, o Nordeste que está sendo castigado atualmente por uma de suas piores secas pode ter entre 30 e 40% menos chuvas nas próximas décadas devido às mudanças climáticas. E, mais uma vez, as camadas mais pobres da sociedade serão as mais vulneráveis a esse processo.

Apesar da contribuição da ciência brasileira e global para o entendimento geral, mudanças climáticas continuam sendo solenemente ignorado no planejamento do desenvolvimento socioeconômico brasileiro. Os grandes planos nacionais em infraestrutura, agricultura, indústria e energia não colocam mudanças climáticas como uma variável estratégica para o futuro do país.

No contexto da COP-19, as notícias do governo constrangem os negociadores brasileiros na Polônia. O processo de negociação internacional em clima vem se arrastando nos últimos anos, e as poucas boas notícias que acompanhavam as COPs recentes sempre destacavam o sucesso do Brasil no combate ao desmatamento, o que se refletia na diminuição considerável das emissões brasileiras de gases de efeito estufa. Em contas conservadoras, apenas esse aumento de 28% representa mais de 100 milhões de toneladas de CO2e na atmosfera no intervalo de apenas um ano.

Se o país vinha sendo aplaudido no exterior por causa do sucesso dos esforços de combate ao desmatamento, o clima frio de Varsóvia não poderia ser mais propicio para o recebimento dessa notícia durante a COP-19.

 

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