Fachada do edifício-sede da Petrobras, no centro do Rio (Foto: Agência Brasil)

12.12.2017 - Atualizado 12.12.2017 às 06:21 |

DO OC – Doze projetos de extração de combustíveis fósseis financiados com bilhões de dólares de instituições públicas ameaçam as metas e o espírito do Acordo de Paris, que faz dois anos nesta terça-feira (12). E, como não podia deixar de ser, o pré-sal brasileiro está entre eles.

A compilação foi feita pela ONG Oil Change International, num relatório cuja publicação coincide com a cúpula One Planet, convocada pelo presidente francês, Emmanuel Macron, para tentar fazer avançar a implementação do acordo do clima na ausência dos Estados Unidos.

Intitulado “Os 12 Condenados” – uma brincadeira com o título original do filme, The Dirty Dozen, cuja tradução é “os 12 sujos” –, o relatório aponta a contradição entre o discurso de finança “transformativa” que instituições públicas como o Banco Mundial levarão à cúpula de Paris nesta terça-feira e a realidade no terreno: US$ 71,8 bilhões por ano em financiamento público para carvão, óleo e gás entre 2013 e 2015, contra US$ 18,7 bilhões para energias renováveis.

Entre os projetos perfilados, além do pré-sal, estão um gasoduto na Ásia Central, as areias betuminosas do Canadá e uma megamina de carvão na Austrália, entre outros. Os projetos de fraturamento hidráulico para extração de óleo e gás nos EUA ficaram de fora, por serem bancados com dinheiro privado.

No Brasil, o relatório aponta para os financiamentos de bancos de desenvolvimento de Japão (US$ 111 milhões), Reino Unido (US$ 452 milhões), Noruega (US$ 219 milhões) e China (US$ 20 bilhões) e Itália (US$ 300 milhões) para a Petrobras, uma empresa “infestada de escândalos” e “um ímã de controvérsias”, segundo a Oil Change. E lembra que o governo brasileiro está em vias de aprovar um subsídio que pode chegar a US$ 300 bilhões para as empresas de petróleo. A votação da chamada MP do Trilhão no Senado está marcada para esta terça-feira.

“A exploração das vastas reservas de petróleo do pré-sal (…) seria desastrosa para o clima”, diz o documento. “Esse óleo extremo é uma bomba de carbono.”

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