Represa do Sistema Cantareira, em São Paulo (Foto: EBC)

14.09.2015 - Atualizado 14.09.2015 às 15:38 |

LUNA GÁMEZ
JULIANA SPLENDORE
CARLOS GARCIA
(ESPECIAL PARA O ISA)

As negociações da Conferência Internacional do Clima (COP-21) – que acontecem em dezembro, em Paris – não contemplam o problema da água, um recurso essencial fortemente impactado pela mudança climática.

Os diplomatas reunidos na penúltima rodada de negociações prévias ao evento, em Bonn, Alemanha, nno começo do mês, a menos de 100 dias da conferência, seguiram ignorando o assunto. Ele simplesmente não aparece em nenhum documento preliminar da conferência.

Apesar disso, a situação da água é um dos principais indicadores sobre os efeitos da mudança climática. Por causa do aumento da temperatura média global, até o final do século as fontes renováveis na superfície e os recursos hídricos subterrâneos diminuirão consideravelmente nas regiões secas subtropicais.

A previsão é de secas cada vez mais frequentes, inundações e alterações dos calendários pluviométricos em geral, provocando riscos à saúde e à segurança alimentar, além de importantes tensões geopolíticas. Esse cenário é detalhado no relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) lançado no ano passado.

Além disso, em escala planetária, estamos enfrentando alterações de sistemas essenciais para o ciclo d’água, como o geleiras e lençóis freáticos (salinizados em alguns lugares pelo aumento do nível do mar).

O desafio aumenta considerando que, até 2050, a demanda de água crescerá 55%, puxada pelos usos agrícolas, pelo crescimento da população e pela produção de energia, como explica o relatório “Água para um mundo sustentável”, lançado por agências das Nações Unidas neste ano.

“A água é o denominador comum de todos os aspectos da mudança climática. Mudança climática é mudança hídrica”, ressaltou Torgny Holmgre, diretor executivo do Instituto Internacional da Água de Estocolmo (SIWI, na sigla em inglês), durante a Semana Internacional da Água, realizada em Estocolmo, Suécia, há 15 dias.

Os especialistas que participaram do evento insistiram na necessidade de inserir o tema da água nos processos de negociação relacionados ao financiamento climático, – principalmente o Fundo Verde; aos Planos de Adaptação Nacionais; e às Contribuições Nacionalmente Determinadas Pretendidas (INDC, sigla em inglês). A ideia é que a inclusão do assunto nesses mecanismos faria da gestão dos recursos hídricos parte essencial das ações de mitigação e de adaptação às mudanças climáticas.

Leia a notícia completa no site do ISA.

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